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Desespero



Onde estiveste esse tempo sem fim?
Chamava tanto por ti, tanto, tanto!
Foi dizendo o teu nome que conquistei o vento assim...

Rasguei bilhetes antigos, cartas não datadas,
e o mesmo vento secou a renúncia do pranto,
levando cada fragmento das tuas antigas palavras.

E agora, esta doçura que do lábio não pronuncia,
esta demora na sombra da pálpebra desencantada...
Ai!, se eu soubesse que nunca me ouvirias!

Quanta ausência ficou entre cerrados cílios,
quanta delicadeza restou inútil e guardada,
quantos suspiros morreram sem auxílio...

E meus olhos, meus olhos cansados de vigílias.
Chorava tanto pelo teu nome, tanto, tanto...
Ai, mas se eu soubesse que nunca virias!

Estão já tuas pupilas apagadas, sim,
tuas mãos desmerecidas de encantos...
E antigos aromas de aragem e jasmim
perdem-se: como se vivesses, no entanto;
como se vivesses e não houvesse o teu fim.



Clebson Moura Leal

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