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Ah, mas o tempo...


     Reparo, em alguns momentos, as minhas mãos. Ah, já estão envelhecendo levemente, aos poucos estão deteriorando-se como uma folha que se desprende e cai no chão, tímida e dócil. Já obtiveram a força das tempestades - mas agora são meramente a sombra do meu cansaço. Não mais desejam ao que pudesssem segurar-se. São doloramente solitárias, frias, esquecidas. Porque o amor foi guardado para sempre, em gavetas fechadas. E ninguém mais voltará ao início dos acontecimentos para retomá-lo (todos nós estamos exaustos por amar em vão, terrivelmente pisados pela vida). E o tempo está deteriorando tudo, tudo, tudo. As minhas mãos possuem o indício de sua passagem. Não há lágrima, nem grito, nem súplica. Somente uma aceitação triste. Um olhar vagamente perdido sobre o que não existe mais.


Clebson Moura Leal

2 comentários:

  1. não preciso dizer o quão lindo e verdadeiro tu soas..adoro te ler

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  2. Oh,como você é gentil, Thierry!
    Obrigado - e é um enorme prazer saber que você gosta do que escrevo.

    Com amor,
    C. Moura Leal

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