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A casa do tempo perdido



Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.


Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.







Carlos Drummond de Andrade 
(in Farewell, 1996)

6 comentários:

  1. Gostei muito do seu blog.
    Hei-de segui-lo...
    Um abraço.

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  2. Oh, que bom que tenha gostado :D
    Fico tão, tão feliz!

    Apareça sempre, ok?
    Eu adoraria.

    Beijos.

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  3. Passei pra deixar um beijo e desejar uma linda semana.


    Ani

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  4. OI Clebson, seu espaço virtual é muito bonito ! Quero ler com calma depois textos seus e comentá-los... Certamente voltarei. Grata por sua visita e comentário. Grande abraço.

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  5. O profundo nasce sem que possamos perceber, apenas deslizamos os dedos no teclado ou no papel e o coração dita o texto, que por sinal, ficou lindo! Passa lá amigo, tem uma homenagem a seres como nós, que escrevemos de olhos fechados, sabendo onde estamos indo...Abraços

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  6. Obrigada pela visita e pelas palavras deixadas no meu "Ortografia". Virei aqui outras vezes.
    Beijos

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