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Dá-me a tua mão


  










Ah, mas se eu tivesse a tua mão agora, para segurá-la - talvez houvesse qualquer esperança para a minha vida; talvez não haveria tal vazio dentro de mim, bradando intermináveis horas. Mas há distâncias impossíveis entre nosso encontro: se nem minha voz chamando-te é o suficiente, quanto mais os meus dedos em te alcançar? Desde que te perdi, minha existência tornou-se algo sem significado, uma penumbra silenciosa, uma condição de ímpeto e desespero contidos. Sou menos que uma palavra escrita na areia, uma canção perdida no vento, uma angústia que se despedaça e acaba. 

     E tudo isso porque não tenho a tua mão para segurar, neste momento. E nem teus lábios, a tua voz, o perfume dos teus cabelos, a doçura dos teus gestos... Não tenho quase nada de ti: apenas esta minha memória que ecoa em muros antigos, tão leve quanto uma pétala - e mesmo assim os meus olhos não a podem suportar: deixam-na cair, docemente inconsoláveis. E será assim, até que os tempos se findem, e minhas pálpebras cansem de chorar a tua lembrança, tão mais vazia do que fora a minha vida. 


Clebson Moura Leal

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