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À espera do amado

Disse-me baixinho:
— Meu amor, olha-me nos olhos.
Ralhei-lhe, duramente, e disse-lhe:
— Vai-te embora.
Mas ele não foi.
Chegou ao pé de mim e agarrou-me as mãos...
Eu disse-lhe:
— Deixa-me.
Mas ele não deixou.

Encostou a cara ao meu ouvido.
Afastei-me um pouco,
fiquei a olhá-lo e disse-lhe:
— Não tens vergonha? Nem se moveu.
Os seus lábios roçaram a minha face.
Estremeci e disse-lhe:
— Como te atreves?
Mas ele não se envergonhou.

Prendeu-me uma flor no cabelo.
Eu disse-lhe:
— É inútil.
Mas ele não fez caso.
Tirou-me a grinalda do pescoço
e abalou.
Continuo a chorar,
e pergunto ao meu coração:
Porque é que ele não volta?


Rabindranath Tagore*, in "O Coração da Primavera"


*mais poemas do poeta hindu em:
http://citador.pt/poemas.php?poemas=Rabindranath_Tagore&op=7&author=629

2 comentários:

  1. Olá Clebson.
    Não conhecia esse poema nem o autor. Amei. Parabéns pela escolhaBjux

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  2. Se atrever a não estar....

    Muito legal....



    Beijos


    Ani

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