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A ninguém mais

     
 
     Esperei-te até que as eternidades, todas, findaram-se - e fui perdendo tudo ao meu redor com o passar do tempo. Fugia dos espelhos para que não dissessem o que me havia tornado: uma sombra sem nome e rosto, caminhando por cômodos vazios, entre silêncio e treva dividido.
     Soube com o vento do teu regresso, posteriormente. Então fui para te encontrar como as tempestades se aproximam e despedaçam tudo com a força da morte: mas, comigo, era eu quem estava sendo despedaçado. Porém, quando percebi, estava ante a teu rosto, para dizer que te amava. Mas não reconhecias mais o meu: e meus olhos se fecharam tristemente, guardando a lágrima de uma vida completamente perdida.

Clebson Moura Leal, 30 de março de 2011.

2 comentários:

  1. Belíssimo texto!
    Gosto desse ritmo mais lento, parece que a vida está em slowmotion e somo capazes de perceber cada detalhe. Escrever é uma câmera magnífica.

    Um abraço!

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