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Ninguém me venha dar vida


Ninguém venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.

Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.

Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis.

Cecília Meireles

5 comentários:

  1. Que lindo, não conhecia. Belíssima também a imagem escolhida. Beijo

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  2. Lindo!
    Mas eu senti que a poeta se sentia conformada. A imagem é bonita, mas destoou do que senti.
    Adorei o texto, uma bela escolha, aliás, seu blog é uma bela escolha!

    Uma abraço!

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  3. Olá moço
    Um amor desesperado e não correspondido. Acredito que todos nós já passamos por isso.
    Abração

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  4. Oi querido,

    Lindo poema, amores não correspondidos são realmente muito ruins, mas na vida não é tudo do jeito que a gente quer...

    Beijos

    Ani

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  5. Uma de minhas preferidas. Embora tão dolorida...


    Abraços! :)

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