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Consolo na praia

Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

3 comentários:

  1. Este poema é perfeito, mas me espelho ainda mais neste verso:
    Perdeste o melhor amigo.
    Não tentaste qualquer viagem.
    Não possuis carro, navio, terra.
    Mas tens um cão.

    Maravilhoso, abraços

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  2. Clebson,

    Entrar aqui com Drummond, nada mais poderia me deixar mais feliz.

    Cora Coralina, Manuel Bandeira, e tantos outros me encantam demasiademente!
    E seus textos?? Que lindezaaaaa, estou lendo tudo com calma,mas de antemão digo:
    O Bilhete me emocionou!

    Parabéns por esse dom!

    Um beijo!

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