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Não soube dizer adeus








    Revejo-te em minha memória, nitidamente. E acabaram as lágrimas, secaram com a passagem do vento. Mas dentro de mim continua algo despedaçado, delicadamente encoberto de escuridão: a minha tristeza por não saber onde estarás, sem poder ser chorada, eternamente sufocada dentro do meu peito. E não há grito, não há coragem para enfrentar os vendavais, não há o que ser salvo.

 Nem a mim, quero salvar. Quero mesmo que as tempestades levem as minhas palavras, a minha voz, as minhas memórias, a minha vida. Entrego-me na mais dolorosa abdicação. Conheço o vento e toda a violência da morte - porém nada temo. Enquanto o mundo chega ao fim, chamo o teu nome sem esperança, rogo-te que venhas, que voltes, que regresses! Somente segurar a tua mão já seria terno o suficiente para que eu fechasse os meus olhos. Os mesmos olhos que fechei quando foste embora, apenas para não ver que levarias  então tudo de mim.
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         I can see you in my mind, clearly. And eventually the tears have dried up with the passage of wind. But something inside me is still in pieces, delicately shrouded in darkness: my sadness for not knowing where you will be, and can not be mourned, foreversmothered in my breast. And there is no cry, no courage to facethe storm, there is nothing to be saved.

        Not me, I want to save. I really want that storms take my words,my voice, my memories, my life. Give me the most painfulabdication. I know the wind and all the violence of death - but I fear nothing. As the world comes to an end, I call your namewithout hope, I pray you to come, they come back, that rules! Just hold your hand it would be tender enough that I closed my eyes. The same eyes that closed when you went away, only to see then you would take all of me.

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Clebson Moura Leal

Um comentário:

  1. A perda de um amor é uma dor diferente, a gente não morre, mas também não vive. Adoro ler-te, não some mais. Abraços

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