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Ser feliz é difícil?



Para Thierry Pang





Às vezes, sim. Todos nós somos uma espécie de caixinha, e cada dia vão sendo colocadas pequenas lembranças. Algumas recordações ruins perduram dentro do nosso peito por anos e anos. E então, vamos entristecendo. Não podemos nos livrar, não conseguimos a benção que é o esquecimento (e posteriormente o perdão). O rancor antigo mostra-nos um passado que não passou, e tudo ecoa infinitamente na tristeza. 

Mas nós, humanos, limitamos a nós mesmos. Guardamos palavras duras enquanto os elogios são esquecidos; vivemos de chorar por aqueles que nem ao menos se importam com nossas lágrimas; alimentamos intrigas vazias, vinganças patéticas, mágoas infundadas. Poderíamos ser muito mais se pudéssemos ver o real valor da existência. Não dá para voltar atrás, os ponteiros do relógio não retrocedem, estamos envelhecendo a cada momento. E tudo que deixamos de fazer é uma triste perda de tempo, uma flor que não se deixou desabrochar para que outros conhecessem o seu perfume. 


Muitas pessoas morrem sem ter conhecido a verdadeira felicidade. E ela não requer nada fora de comum: é tão simples que a complicamos. Temos o costume de sonhar com alguém que nos complete (quando nós mesmo deveríamos ser suficientes), o emprego que pague melhor (enquanto há pessoas que não tem o que comer), uma casa maior, viagens, falar várias línguas. Aprendi há pouco tempo a ver a vida de outra maneira: a felicidade está perto de nós, dentro de nós, ao redor de nós - talvez nos espreite como uma criança que brinca de esconde-esconde.



Clebson Moura Leal

Um comentário:

  1. Mas essa procura constante, e diria, insaciável é por uma felicidade constante. Acredito que não exista tal. Quer dizer, só a XUXA consegue ser alegre o tempo inteiro..rs

    Boa Clebson, gostei.

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